
Dia Mundial de Combate à Obesidade
Equipe de Jornalismo - 11/10/2006 00:00
Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos maiores problemas de saúde pública no mundo por acometer 1 bilhão de pessoas, a obesidade é um grave fator de risco para o diabetes, confirmado pela estatística de que cerca de 80% das pessoas que tem diabetes são obesas.
No Brasil, a data é marcada por uma série de iniciativas de secretaria municipais e estaduais de saúde, entidades médicas, organizações não-governamentais (ONG’s), além de eventos em universidades e promovidos por empresas privadas.
Dois especialistas comentam e abordam o tema. O Dr. Bruno Geloneze fala sobre os mitos e verdades que relacionam o diabetes, obesidade e atividade física. Leia também o artigo do Dr. Marco Vívolo que aborda a ligação entre as duas doenças e a importância da atividade física sobre mitos e verdades que relacionam o diabetes, obesidade e atividade física.
Mitos e Verdades Sobre o Diabetes e a Obesidade
1) Todo obeso vai ter diabetes um dia
A alta prevalência de diabetes tipo 2 em pessoas obesas traz à tona a relação de causa e efeito entre as duas condições. Obesidade é um estado de resistência à insulina (RI) per se. No entanto, o aparecimento do diabetes depende de uma deficiência relativa ou absoluta da produção de insulina. Alguns obesos terão diabetes pela presença de RI associada à disfunção de célula beta. é equivocada a noção de que todo obeso um dia se tornará diabético. Todo obeso terá RI, mas menos da metade deles serão diabéticos em algum momento da vida.
2) A insulina é a vilã do excesso de peso para os pacientes com diabetes
A insulina não é a vilã. A falta de ação da insulina é que o problema. A noção da hiperinsulinemia per se, como uma fonte de problemas, carece de evidências científicas. A RI, com ou sem hiperinsulinemia, é a grande vilã.
3) Pessoas com gordura abdominal em formato de maçã tem mais propensão a desenvolver o diabetes do que as com formato de pêra (gordura nos quadris)
De fato, a gordura periférica superficial pode ter um papel protetor contra doenças metabólicas e cardiovasculares. O adipócito subcutâneo superficial é sensível à insulina e produz quantidades maiores de adiponectina e menores de citocinas inflamatórias, quando comparadas aos adipócitos subcutâneos profundos a aos adipócitos intra-abdominais (viscerais).
4) 80% das pessoas que tem diabetes são obesas
Confirmando a hipótese que, na atualidade, a RI está na base etipatogênica do diabetes.
5) A interpretação dos índices de IMC para identificação da obesidade é absolutamente segura.
O IMC é um índice ótimo para identificar pessoas de risco para síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. No entanto, quando obtemos o IMC, estamos encontrando uma medida substitutiva para o que realmente gostaríamos de medir, que é a gordura intra-abdominal. A circunferência da cintura abdominal e a relação cintura/quadril se aproximam mais daquilo que queríamos avaliar, qual seja, adiposidade abdominal e a redução da adiposidade periférica. Diria que o IMC é uma pista; as circunferências, mais específicas na prática clínica; e a tomografia abdominal medindo diretamente a gordura visceral, o método mais adequado em pesquisas científicas.
6) O excesso de peso aumenta a resistência à insulina, elevando os níveis de glicose no sangue, o que aumenta a possibilidade da pessoa desenvolver o diabetes do tipo 2
A RI sobrecarrega as células betas pancreáticas para produção de insulina. Além disso, a própria RI na célula beta prejudica o seu funcionamento e vida útil. Por fim, citocinas inflamatórias produzidas no tecido adiposo podem acelerar a disfunção e morte programada (apoptose) das células betas. Tudo isso contribui para o aparecimento do diabetes.
7) Estima-se que 50% dos casos de diabetes podem ser evitados com modificações no estilo de vida, como dietas leves (menos alimentos ricos em gordura e açúcar) e exercícios físicos (como a caminhada)
Os exercícios físicos são sensibilizadores da ação da insulina, diminuem o estresse para as células betas, reduzem o peso corporal através da perda preferencial de gordura corporal. Quando realizados em conjunto com um plano alimentar, temos efetivas reduções de novos casos de diabetes, ou mesmo, a remissão do diabetes de início mais recente.
8) A cada duas horas a mais que as pessoas passam assistindo televisão cresce a possibilidade de desenvolver diabetes e obesidade
Os exercícios programados (academias, esportes), bem como os não programados (caminhar no dia-a-dia, subir escadas, etc.) são efetivos na prevenção e tratamento do diabetes. O problema atual é que a humanidade determinou o sedentarismo programado, e exemplos nós temos em função da televisão, computador, telefones celulares e insegurança em nossas ruas.
Dr. Bruno Geloneze
Pesquisador do Serviço de Cirurgia da Obesidade
Universidade de Campinas - UNICAMP
Dr. Marco Vívolo
membro do comitê editorial do site e da diretoria da SBD.
Fonte: www.diabetes.org.br
Um comentário:
Querida Luci,
Obrigada por tuas palavras sobre a minha becky. estou mesmo pedidndo pra todo o mundon rezar por ela, para que melhore ou encontre a paz.
Tua postagem é muito importante. A obesidade é cada vez mais uma doença crónica, cada vez surge mais cedo na idade e nem sempre é entendida. Cada um de nós deve alertar para os maleficios da obesidade, quer os fisicos como os psicologicos, pois nenhum gordo é feliz, faz apenas p+or o ser!
Vamos reflectir no tema!
Beijos de carinho e boa semana de paz!
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